Num novo capítulo da conflituosa relação que vem mantendo com a imprensa, o técnico Dunga dirigiu-se diretamente ao torcedor no Brasil e perguntou: “Eu, como treinador da seleção brasileira, não posso ter 20 minutos de liberdade para treinar uma bola parada, uma jogada ensaiada?”
O pedido de “liberdade” em relação à imprensa ocorreu em resposta a um questionamento sobre as razões de Dunga ter fechado os últimos 20 minutos de um treino de 80 minutos, realizado na tarde deste sábado, em Johanesburgo. O repórter queria saber se a decisão do treinador era uma “represália” à imprensa. Na última semana, os jornalistas tiveram acesso restrito em diversas atividades.
O assunto veio à tona na entrevista obrigatória em véspera de partida da Copa do Mundo. Neste domingo, o Brasil enfrenta a Costa do Marfim, às 15h30 (horário de Brasília), pela segunda rodada do grupo G, no Soccer City, em Johanesburgo.
A temperatura voltou a esquentar entre Dunga e os jornalistas depois que uma foto do meia Josué treinando com o colete dos titulares, obtida por alguns fotógrafos escondidos, circulou na sexta-feira, após mais um treino secreto da seleção. A Rede Globo noticiou posteriormente que o volante Gilberto Silva havia se contundido, o que explicaria a foto de Josué entre os titulares.Em maio, durante o anúncio da convocação da seleção, Dunga recorreu ao mesmo expediente. Cercado por centenas de microfones e câmeras, o treinador dirigiu-se diretamente ao torcedor em diferentes momentos, pedindo patriotismo e compreensão. “Você, torcedor, vai entender que, em alguns momentos, não terá tanta informação sobre a seleção”.
“Não sou bombeiro de alguns de vocês”, disse Dunga. “Quem escreveu a matéria tem que pedir desculpas para o leitor”, prosseguiu. “Outro dia, falaram de manhã que o Julio Cesar estava machucado e à tarde ele foi o melhor do treino”.
Em outro momento da entrevista, quando indagado se o Brasil entraria em campo contra a Costa do Marfim com a mesma equipe que estreou contra a Coreia do Norte, Dunga ironizou mais uma vez o trabalho dos jornalistas: “Pode ter uma surpresa. Aí vocês colocam um camarada lá em cima no prédio para fotografar. E ele ainda pode cair e se machucar”, disse, em referência à fotografia “roubada” durante o treino fechado.
Ao final da entrevista, o treinador voltou a falar de seu assunto preferido: “Eu não tenho que dar explicação, não tenho que apagar fogo. Vocês não têm que criar todo dia um incêndio”. Em seu socorro, o médico da seleção, José Luís Runco, esclareceu: “O dia em que houver um problema médico vocês serão avisados, podem ficar certos disso”.
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